E LEMBRE-SE! ...

... não te esqueças de agradecer ao bom Deus pelo dom maravilhoso da vida! L.s.N.S.J.C.!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

DIANTE da morte, a saudade eterniza o amor de quem partiu!

Padre Agostinho Cruz afs.cruz@hotmail.com

"Quem tiver uma foto, uma mensagem, uma frase, um bilhete, ou algo que possa recordar essa pessoa maravilhosa que partiu, mas que deixou um filho recém nascido, envie para um e-mail que eu criei no nome dela; pois quero que o meu filho saiba, não só por mim, mas por outras pessoas, quem foi a mulher que foi a mãe dele!"

A Eucaristia é o ápice da vida cristã, e faz a comunhão entre o céu e a terra. Tenho presenciado e participado de alguns momentos de profunda experiência de fé de algumas famílias diante do inevitável, a morte. As palavras ditas acima foram pronunciadas por um jovem esposo, que acabara de perder a sua esposa, e que ficou, além da saudade e da dor da partida, com um bebê, fruto de seu breve casamento. Ele poderia estar revoltado com Deus, como alguns fazem; poderia ter se fechado num casulo de lamentações e sofrimentos; ou ainda, poderia ter se revoltado com tudo e contra todos; mas isso está longe de acontecer. Eu vi , diante de tamanha dor, um valente homem se erguendo do mar de lágrimas, assumindo a responsabilidade de ser para seu pequeno herdeiro o portador da mais bela lição de vida, o amor que sua esposa, em vida, soube transmitir a ambos, esposo e filho. 

É verdade que a morte tráz um rompimento nas relações, fazendo com que a vida se ache diante de um penhasco ou precipício. Os sentimentos, causados pela dor da separação, geram no coração humano a dor. Uma dor doida, não de ferida, mas a dor da alma. Pois, diante da morte, tem-se clareza de que a pessoa amada não voltará mais. Aí, o coração se comprime, a voz embarga, e as lágrimas jorram, como se o corpo todo tivesse necessidade de expressar num único ato de saudade. 

A saudade é saudável! Sim, isso mesmo; ela é o único sentimento capaz de eternizar no tempo e na história os mais belos sentimentos de amor; pois a saudade eterniza em nós e para nós, as pessoas que amamos. Nunca ouvi dizer que alguém tenha sentido saudade de algo ou alguém que tenha lhe causado dor; pelo contrário, a saudade é algo maravilhoso. 

Toda pessoa enlutada sabe do que estou falando; uma vez que só quem já provou a dor da separação que a morte tráz, sabe o quão é precisa a recordação da pessoa que partiu. Saudade e recordação são palavras diferentes, mas que fazem o mesmo papel, trazer à memória e ao coração as palavras, gestos, expressões, cheiro, olhar, andar etc do ente querido. Enquanto a saudade é esse eternizar o que já se foi, a recordação é trazer para o coração essas mesmas lembranças. Com isso, aprendo, a cada dia, que a morte não é o fim, e nem será; que a vida, quando é permeada de amor, vence a morte e supera a dor. 

Ah, se soubéssemos o verdadeiro sentido de nossa vida! Ah, se vivêssemos o nosso céu já aqui na terra! Mas isso não é uma utopia. Diz uma canção, de um jovem padre: "Só se toca o céu, se tem o pé no chão!". Tocar a eternidade só possível mediante o amor; isso mesmo, se amamos e deixamo-nos amar, vivemos bem já o nosso céu. É da santa das rosas, a Flor gentil do Carmelo, que vem esse profundo ensinamento: "Passarei o meu céu, fazendo o bem sobre a terra". Quando as pessoas que partem vivem já o seu céu aqui, os maiores beneficiados são aqueles que ficam caminhando até chegar o dia da feliz consumação. Mas ninguém pode esperar o último dia, o último suspiro, para viver essa entrega de amor. 

Voltando ao inicio de nosso texto, achei muito bonito o gesto do jovem viúvo de querer eternizar o amor de sua esposa, ensinando para seu filho recém nascido a prática do amor de sua esposa. Nunca tinha visto algo assim! Fui tomado de grande emoção diante de tão forte apelo: "Meu filho precisa crescer conhecendo a mãe que o gerou e amamentou, mesmo em pouco tempo!". Esta criança não verá sua mãe, mas sentir-se-á amada por ela. Isso faz diferença numa criação! Por isso, penso que a morte é vencida a cada dia quando amamos de verdade, pois o sofrimento que sentimos pela morte de alguém que amamos torna-se redentor para quem fica e vive de amor. O amor vence sempre, e a morte não pode separar quem ama de verdade (cf. Rm 8, 38-39). Sendo assim, só posso dizer-te algo: ama e sê amado (a), terás sempre vivo em teu coração aqueles que a saudade tráz para dentro do coração! (Voz de Nazaré, Belém, Brasil)

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